domingo, 23 de maio de 2010

Sobre o capitalismo

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Antes: fabulosa a repercussão de O Dia Sem Impostos, do Instituto Millenium.
O Jornal das Dez (GNews) deu o espaço ideal para essa iniciativa que, espero, se alastre o mais rápido possível.
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Desde os primórdios da humanidade o mundo passa por problemas sociais de todos os tipos: fome, guerras, pobreza, proliferação de doenças, etc. E é também de muito tempo que nós tentamos achar um “culpado” ou um fator que seja resultante de todas as desgraças mundiais, se é que esse fator existe.

Porém, ainda que pareça impossível, existem algumas pessoas que conseguem apontar um único culpado para todos esses problemas: o capitalismo! São os defensores do comunismo que, seguidos pelos ensinamentos arcaicos de Karl Marx, acham que o capitalismo acaba com o mundo, deixando uns com muito dinheiro e outros beirando a miséria.

Não estou diminuindo o autor. Até acho que Marx tinha uma visão interessante para a sociedade na qual viveu, mas muita coisa mudou desde então. Garanto que o próprio Marx ficaria revoltado ao ver que ainda existem mentes retrógradas que reproduzem na sociedade atual as ideias que foram divulgadas pelo filósofo há mais de duzentos anos.

Baseados em conceitos ultrapassados da sociedade, estes papagaios marxistas pensam absurdos como que “o capitalismo e a elite lucram com a ignorância do povo”, ou que “a razão da pobreza no mundo é devido ao fato de outras pessoas terem muito dinheiro”. Pois alguém precisa dizer a essas pessoas que não estamos mais na época do filósofo.

Confesso que toda vez que reconheço um comunista, tenho ataques de riso. E ao conversar com um, chego a passar mal diante de tanta besteira que ouço. Não é a toa que o sábio Paulo Francis um dia disse: “A maior propaganda anticomunista é deixar um comunista falar”.

Entendam, “comunalhas”, que o capitalismo não lucra com a ignorância, porque os países mais desenvolvidos economicamente são aqueles com o maior índice de escolaridade. Porque o mercado exige mão de obra qualificada, sendo necessário para isso, a educação.

O que os discípulos de Marx precisam saber é que as únicas instituições que lucram com a ignorância alheia são as igrejas que cobram “dízimos absurdos” ou os políticos da esquerda, como os do PT, que acham que ser burro e sem estudo são qualidades louváveis. Afinal, “pra que estudá se eu póço ser prezidente do Braziu um dia, né”?

Em relação à pobreza, o cara que mora na rua ou debaixo da ponte, não está lá porque os ricos têm mansões ou carros importados, ou porque o mundo gira em torno do capital, da oferta, das ações. O fato de pessoas limparem a bunda com dinheiro não deixa o “Zé da Esquina” ainda mais pobre. A riqueza alheia e o sistema capitalista não são responsáveis pela pobreza dos outros.

Portanto, vocês que são ricos, não tenham a consciência pesada e nem se culpem pelas guerras e pela fome no mundo, porque essas são coisas que existiriam e aconteceriam diariamente ainda que os ricos fossem pobres. Esses esquerdistas e comunistas gostam de repetir em coro os malefícios da propriedade privada, mas eu posso apostar que não abririam mão de seus bens em nome da igualdade social, não é mesmo?

Infelizmente as pessoas morrem de fome todos os dias. Isso é um fato. Mas o cenário não seria diferente se os ricos resolvessem deixar de comprar mansões, joias ou carros importados, ou até mesmo se vivêssemos em um sistema no qual ninguém tivesse direito a crescer e aglomerar capitais. O capitalismo não é um sistema que exclui. Simplesmente não é rentável ao capitalismo que as pessoas sejam pobres ou miseráveis, embora algumas cabeças de minhoca pensem dessa forma.

É digno de pena que as pessoas consigam enxergar qualquer associação entre os milhares de mortos pela AIDS na África e o sistema capitalista. Eu tento, forço a barra, mas acho que ideias mirabolantes como essas não passariam nem pelas mentes rebuscadas dos roteiristas de Lost.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Robin Williams está certo

- Creio que o texto abaixo seja eterno. Aproveitem.


É incrível como as melhores pautas surgem das situações mais improváveis: era meia-noite e meia e eu estava me preparando para dormir quando vi na TV uma notícia que me chamou a atenção. Aumentei o volume para ouvir e achei graça no que vi.

O ator Robin Williams (O Homem Bicentenário) declarou em um programa de entrevistas que estava muito chateado por Chicago não ter sido escolhida para sediar as Olimpíadas de 2016. Ele dizia: “Enquanto Chicago trouxe como representantes a Oprah e a Michelle Obama, o Brasil trouxe 50 prostitutas e meio quilo de pó”. A platéia, na ocasião, caiu na gargalhada. E eu, sozinho no meu quarto, ri também.

Então a notícia continuou e o texto dizia que Robin Williams já havia sido internado por seu vício em drogas e o acusou de fazer piadas grosseiras. Por fim, o apresentador do jornal exibiu sua carinha que pode ser definida como de “desprezo patriótico” pelo que viu na matéria, e o jornal seguiu seu curso. Esse fato me fez levantar a seguinte questão: brasileiros, onde está o seu senso de humor?

Afinal, a piada nem foi tão irreal assim, não é mesmo? Fico pensando qual será a imagem que os europeus ou americanos têm do Brasil, e quando chego à conclusão de que eles imaginam o nosso país como “uma grande selva sem leis”, me animo, pois sei que são perspectivas realistas. Que condizem com a realidade.

A imagem que os forasteiros têm de nosso país, é justamente a imagem que nós brasileiros gostamos de passar pra fora. Nossos filmes que concorrem ao Oscar são sempre aqueles que contam a história dos traficantes ou de motins em penitenciárias, as notícias que eles recebem daqui só dizem respeito a assassinatos, tráfico e impunidade. Então qual a imagem que os brasileiros queriam ou esperaram que tivessem daqui?

Não sei quanto a vocês, mas o que mais me incomoda nesse fato é que a piada contada por Robin Williams seria ainda mais engraçada, se não fosse tão verdadeira e assustadora. Pois, convenhamos, o que mais o Rio tem a oferecer aos gringos senão o pó e as prostitutas? Os cariocas vão responder prontamente que tem coisas belas como a linda praia de Copacabana ou o Cristo Redentor. Pois eu posso citar prontamente outras duzentas praias ao redor do mundo nas quais você pode tomar sol sem correr o risco de tomar um tiro na cara. Lugares onde você pode deixar o seu filho no carro, sabendo que ele não será brutalmente assassinado por covardes e viciados.

Pouco antes da notícia do Robin Williams, no mesmo jornal, o Secretário de Segurança Pública do Rio declarou que seria muito otimista esperarem que o tráfico seja vencido na cidade. De fato, ele está certíssimo. Mas ninguém se ofendeu com as declarações dele. Não vi o âncora do jornal entortando o nariz para as palavras do secretário, por outro lado, para o ator americano...

Somos hipócritas e não aceitamos os nossos defeitos. Pior, nem tentamos corrigi-los ou ao menos reconhecê-los. Uma coisa é o secretário criticar a segurança no país, agora o ator americano fazer piada é inaceitável!

Somos como aquele marido que sabe que é corno, mas se falam que a mulher dele não presta, ele mata o infeliz que ousou manchar a honra da amada esposa.

Já passou da hora de nós pararmos de nos ofender com piadas inofensivas e começarmos a nos ofender com políticos que escondem pacotes de dinheiro em todos os possíveis orifícios do corpo e com a violência desmedida que toma conta do país, matando cada vez mais inocentes.

Gostaria muito que nós tivéssemos o pavio curto para injustiças tanto quanto temos o pavio curto para as piadas a respeito dos nossos próprios defeitos. Mas ainda falta tempo para isso acontecer. Até lá, nosso país será motivo de muitas outras piadas. E a nossa permissividade garantirá o riso de várias décadas além.